sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Louvor ateu

Ateístas evangelistas. Contradição de termos? Não. Ateus ingleses começaram um movimento com “cultos ateus”. Como assim? Eles deixaram a igreja, mas queriam manter algumas coisas que curtiam nela. Como relata um dos fundadores do movimento:

“Há cerca de seis anos eu deixei o louvor da igreja, e pensei: ‘Há muitas coisas formidáveis lá. Eu adoro cantar, estar com os outros, a ideia de se aperfeiçoar e ajudar outras pessoas. Mas tudo isso é centrado em algo no qual eu não acredito. Quão bom seria se tudo isso acontecesse por algo em que acredito? Eu penso que a vida é tão impressionantemente fantástica que ela deve ser celebrada tão somente pelo privilégio de a termos.’” – Sanderson Jones

Eles “cultuam” ao som de Queen, Billy Joel e Meatloaf e ouvem “sermões palestras” centrados em experiências profundas de vida, segundo o conceito dos palestrantes.

O movimento tem crescido na Inglaterra, onde uma pesquisa recente revelou que 2/3 dos adolescentes afirmam não acreditar em Deus, e agora começa a ser difundido nos EUA.

Aguarde, em breve, a palavra “salvadora” dos neo-ateus deve chegar à terra brasilis.


As informações são do site da revista Newsweek (em inglês), no seguinte link: http://mag.newsweek.com/2013/11/01/atheism-evangelicals-christianity-religion.html

Depois de ter postado o texto, encontrei essa matéria, em português, com vídeo: http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2013/11/131101_igreja_sem_religiao_video_fn.shtml#TWEET942105

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Maldito maldizer

Costumamos gostar de coisas bem ditas e benditas, principalmente se forem em referência a nossa pessoa. No entanto, parece que pegajosamente o mal dizer e o maldizer acompanham o abrir de nossa boca. É tão mais fácil falar para o mal do que para o bem. Pior, muitíssimo pior do que isso, parece tão mais... prazeroso.


Esse prazer maligno de maldizer, fofocar, criticar com perversidade, espezinhar, diminuir e, muitas vezes, destruir o outro por meio de palavras, como nos casos de bullying, é algo tremendamente maléfico para todas as partes. No entanto parece não haver prática tão comum, mesmo entres os que se autoproclamam filhos de Deus. Prática que não faz discriminação. Sofrem por ela e dela fazem uso tanto os mais simplórios quanto os de grande vulto na igreja.

Talvez esse pecado da maledicência seja tão comum por pensarem que supostamente não receberão nenhuma punição. Afinal, quantos casos de maledicência ou fofoca já vimos sendo tratados pela igreja com a devida severidade? Há impunidade quanto a essa prática. A igreja tem dificuldade em tratar de situações assim, muitas vezes, por falta de provas, testemunhas, ou simplesmente porque muitos não levam isso a sério. Afinal, maldizer não faz crescer barriga à vista de todos.

Essa ideia de impunidade é enganosa, vilmente enganosa. No sermão da montanha, Jesus advertiu com severidade: "quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo" (Mt 5.22). Vale lembrar que "tolo" é uma palavra bem amena comparada às que se costuma usar para maldizer hoje. Atentar contra uma pessoa por meio da maledicência é se colocar no mesmo nível de quem não teme a Deus, e, assim como ele, estar sujeito à condenação eterna.

Paulo, o apóstolo, apresentou uma relação de pecados de prática constante que são característica de quem não poderá ter os céus por herança: "nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes..." (1Co 6.10). É, pelo que Paulo diz, esse negócio de falar mal dos outros parece mesmo ser bem sério, não é?

A língua é capaz de por em "chamas toda a carreira da existência humana" (Tg 3.6). Tiago também coloca o cuidado com o que dizemos em pontos bastante extremos. Com a língua bendizemos ao Senhor e amaldiçoamos os homens, que são semelhança de Deus, nosso iguais, nossos irmãos, com falhas e erros semelhantes aos nossos, com amores, desejos, dúvidas, esperanças tais quais também as temos. 

Maldizer e bendizer podem andar juntos? De uma mesma fonte pode brotar água doce e amarga (Tg 3.11)? Ah, sim, o problema é a fonte. A boca fala do que está cheio o coração (Mt 12.34). O que jorra de sua fonte?

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Amor: na teoria, tudo bem...

A tirinha ao lado brinca com a séria realidade de que todos reconhecem que o amor é a chave para os problemas do mundo, algo revolucionário, mas que pouquíssimos praticam. Entramos no jogo do "faça o que eu mando, não faça o que eu faço".
Talvez agora você esteja pensando: "Ah, não! Mais uma exortação dizendo que 'eu devo amar', 'eu devo amar', 'eu devo amar...'". Não se trata disso. Afinal, você já sabe muito bem a parte teórica sobre o amor, ou talvez não muito, mas certamente sabe que é algo bom, e algo que gostaria de receber. É sobre esse ponto que quero tratar.
Conhecemos algumas coisas somente pela teoria. Esse conhecimento se aprofunda de maneira tremenda quando temos contato, quando experimentamos o que diz a teoria. Um degustador pode explicar a alguém as variadas nuances do sabor do chocolate, buscando exprimir o quanto ele é delicioso, por exemplo. Mas uma bela mordida em um fará toda a diferença no conhecimento dessa verdade (tudo bem se você não gosta de chocolate, entendemos que no seu planeta isso possa ser uma realidade).
Você já sabe que somos muito egoístas. Tudo gira ao nosso redor e tudo é para nós, ou ao menos pensamos que deveria ser. Isso não é diferente quanto ao amor. Queremos que nossa esposa, ou marido, nos ame e nos faça feliz. Queremos que as pessoas nos amem, e atendam nossas necessidades, e nos elogiem, nos façam um carinho. Parece que a verdade bíblica de "amar ao próximo como a si mesmo" é boa quando os outros a praticam, não é?
Considerando isso, que tal se experimentássemos mesmo amar? Os benefícios teóricos de amar você já conhece, mas que tal senti-los na pele? Ver sua esposa sorrir emocionada porque você a abraçou espontaneamente, sem motivo aparente, seria algo bom para você? Acompanhar os olhos encantados de uma criança que lê um livro que você doou a ela seria algo bom para você? Dar um duro danado trabalhando fora e ainda chegar em casa e cuidar da roupa do seu filho, para tê-lo bem cuidado e agradecido à mãe seria algo bom para você?
Bem, uma infinidade de coisas que poderíamos fazer como expressão de amor nos deixariam felizes ao final. Mas você percebeu que tudo isso está se voltando para o nosso umbigo de novo? Mas é verdade que amar nos faz bem. Sim, aquele amor sacrificial, de entrega, pode nos trazer benefícios. O ponto é que o amor verdadeiro age sem esperar nada em troca. Afinal, ele "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1Co 13.7). 
O amor precisa ser praticado, exercitado, para crescer e amadurecer. Esse processo só tem início com nossos primeiros passos, com o entendimento, por exemplo, de que nós só podemos amar de verdade "porque ele nos amou primeiro" (1Jo 4.19).
Portanto, que tal conhecer o amor mais profundamente? Que tal espalhar amor, ainda que caras feias e irritadas estejam do outro lado? Que tal praticar o amor, ainda que começando de maneira bem modesta, para que ele vá crescendo e crescendo?

Ah, vamos amar!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Justiça! Desde que seja a minha


       Atrizes se beijando em público, de preferência com muitos flashes, baderneiros subindo em mesas, portas de "armário" se abrindo com as pessoas menos esperadas, editoriais de jornais e revistas no estilo: "Fora Feliciano! Você não nos representa". 

       Quanto empenho e determinação. Vigor sobejando pela "causa". Gargantas abertas para clamar: "Saia!". Vozes que afirmam que não se calarão enquanto não tiverem sua vontade atendida. Tudo isso para tirar um deputado da presidência da Comissão de Direitos Humanos porque, segundo afirmam, ele é homofóbico e racista. Convenhamos que o tal pastor deputado não parece ser uma singela flor do campo que possa ter seu perfume aspirado, mas seria preciso todo esse barulho? É a luta pela realização da justiça?
       Por esses dias, como é rotineiro, noticiários da TV exibiram imagens de pessoas passando horas em filas para ser atendidas. Não. Não se trata de hospitais públicos, o que já é muito ruim. Agora são também os hospitais particulares, pelos quais as pessoas pagam convênios médicos para ser atendidas. Crianças desmaiando, mulheres passando mal, pés quebrados para os quais não há gesso. Caso nos voltemos para os hospitais públicos, falaremos de pessoas a quem é negada qualquer dignidade. Homens e mulheres que são encostados em corredores, até que morram, ou que vão embora morrer em outro lugar.
       Mas mudemos da saúde, ou da falta dela, para o básico dos básicos, a necessidade de água. Também são expostas pela TV as imagens do chão rachado, à míngua, com "Severinos" e "Marias" não sabendo o que fazer com "us minino". E não é de hoje. Graciliano Ramos via esse mesmo cenário quando colocou a cadela Baleia a seguir Fabiano, Sinhá Vitória e seus dois meninos. Gado estorricado, com a vida evaporando pelo calor e secura.
       Mas e as meninas vivendo à beira das estradas perguntando aos "tio caminhonero" se não querem se aliviar por 20 conto? Esbravejamos contra os pedófilos que atacam meninos e meninas de classe média, e devemos fazê-lo, mas e essas outras crianças? Seriam dignas de alguma dignidade reconhecida? Brasileiros e brasileiras se preocupam com elas?
       Mas haveria muitos, e muitos mesmo, outros "mas" que poderíamos citar. Todos eles merecedores da atenção, preocupação, do envolvimento, comprometimento, desprendimento de todos nós. Por esses motivos deveríamos clamar bem alto: "Chega! Chega! Justiça! Fora com os que não cuidam de questões essenciais para a população. Vocês não nos representam". Mas isso não acontece. Não acontece.
       Ah, se essas influentes atrizes, se prolíficos editores de jornais e revistas, se baderneiros que gritam em sobem em mesas estivessem envolvidos nessas causas. Essas sim causas, Causas significativas, importantes, que fazem diferença na vida, e mesmo na morte, de milhões de pessoas.
       Chega então dessa justiça parcial. Basta de valores proclamados por "brothers" que não sabem discernir mão direita da esquerda. Calem suas bocas, se não é para exigir e cobrar as pessoas por motivos verdadeiros. Hipocrisia, mentiras e coerção, sempre de mãos dadas para proclamar a justiça, de alguns, para alguns.
       Nosso Pai, que seja feita a sua justiça.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Lírios, observem


           Sim, lírios, observem. Vejam os homens no mundo. Eles trabalham e tecem, como já foi no passado. Assim como em séculos anteriores eles continuam a ficar ansiosos e a confiar em si mesmos para se manter. Suas forças em um momento estão no auge, em outro estão dependentes de alguém que os conduza, mas não entendem que eles nada podem por si mesmos.
            Muitos séculos se passaram e a ansiedade somente aumentou na vida de homens e mulheres. Eles querem sempre mais. Não abarrotam mais seus celeiros, pois agora o bom, o “seguro”, é ter uma bela conta bancária. Quanto mais números ela apresentar, mais seguros eles se sentem. Vamos lá, dizem eles, mais dinheiro, mais casas, mais dinheiro, mais carros, mais dinheiro, mais roupas, mais dinheiro, mais aparelhos celulares, mais dinheiro, mais gadgets, mais dinheiro, mais... apenas mais.
            O vazio continua, como no passado. As contas bancárias e os bens podem aumentar, mas só para descobrir que, ao final, a infelicidade continua. O buraco da falta de sentido tem a força gigantesca de um buraco negro no espaço. Os seres humanos continuam a se consumir, a se deteriorar moral, intelectual e fisicamente. Sim, um abismo chamando outro abismo.
            Ah, se eles tivessem fé! Onde está o grão de mostarda? Assim jamais os montes se moverão. Por que preferem carregar os fardos pesados, quando é ofertado o leve? Eles parecem desejar o deserto. A fonte de água foi apresentada aos sedentos, mas a língua contínua a se apegar ao palato. A garganta arranha e engasga o pó da enganosa autossuficiência. Ah, se tivessem escolhido a melhor parte! Essa não seria tirada deles.
            O pior cego é aquele que quer olhar para apenas uma direção, que não contempla o todo, que não agradece pelo todo. O pior cego é quem quer ver apenas o que quer ver, o que lhe convém. Mas é possível dar vista aos cegos, e é possível abrir os horizontes. É possível que eles também observem vocês, lírios. Nem Salomão se vestiu como vocês. E possível que esses cegos voluntários contemplem vocês e se alegrem, e deem graças, e vivam.

sábado, 11 de agosto de 2012

Pai - herói e bandido


                  Muita gente deve considerar que não há nada mais brega do que se emocionar ao ouvir a música “Pai”, cantada por Fábio Jr. Se eu considerar assim, sou um bregão dos bons. Essa música me toca muito. Talvez exatamente pelo fato de um trecho dela descrever muito bem como foi meu relacionamento com meu pai: “Pai, você foi meu herói, meu bandido”.
            Meu amado Oswaldo, meu querido Dinho, meu incrível pai. Ele foi meu herói ao me ensinar sobre muitas coisas, ao me deixar recostar minha cabeça no colo dele e me fazer um cafuné, ao me ensinar algumas coisas do trabalho dele (ele era um mecânico que conseguia descobrir defeitos só de ouvir o ronco do motor), ao contar das lutas que ele enfrentou na vida.
            Mas meu herói também foi meu bandido. A mão que afagou meus cabelos também chegou a segurar uma faca e desferir golpes contra o armário da cozinha, em um dos momentos de descontrole, em seu alcoolismo. Na adolescência cheguei a ir dormir, em algumas noites, temendo que meu pai fizesse alguma loucura por causa da bebida e por eu confrontá-lo pelo vício.
            Sempre sofremos as consequências das atitudes que tomamos. Meu pai faleceu por causa do alcoolismo. A cirrose hepática encerrou a vida do meu amado pai, ainda que herói, ainda que bandido. Isso aconteceu quando eu tinha 16 anos.
            Hoje sou pai dos meus amados André, Marcos e Rafael. Sei que também sou meio herói e meio bandido para eles. Sou o pai brinca de lutas com eles, que abraça e beija, que ensina inglês, que fala do Pai eterno, que faz cafuné. Mas também sou o pai que cobra, que exige, que fala em um tom mais áspero, às vezes, que manda lavar a louça (que terror!).
            Sou filho. Sou pai. Ah, que saudade de meu pai! Ah, que alegria ter meus filhos! Eu não conheci meu avô paterno. Meus filhos também não conheceram o deles. Espero que Deus, o Pai, me permita conhecer meus netos. Voltando à música de Fábio Jr., eu queria muito ter meu pai em minha casa, brincando de vovô com meus filhos no tapete da sala de estar. Mas os caminhos de Deus são mais elevados que os nossos caminhos.
            De qualquer modo, só não quero e não vou ficar mudo pra falar de amor pra você, meu herói, meu bandido, meu pai.

terça-feira, 10 de julho de 2012

"Não se esqueça de mim"


            Caso fosse uma pessoa, seria isso o que diria a “ética”. Diria isso porque ela tem sido largada lá em um dos cantos mais cheios de teias de aranha das cabeças de muitos crentes. Seria ótimo retirar essas teias e buscarmos coerência.
            Para começar a retirar as teias e resgatar a ética abandonada, vamos primeiro tentar recordar o que ela é. Vamos ver uma definição mais simples, uma das que o Dicionário Houaiss apresenta: “conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade”. Para exemplificar, podemos pensar em ética médica. Espera-se que um médico tome atitudes que sejam coerentes com os padrões seguidos por outros médicos. Eles sempre procurarão, por exemplo, salvar vidas, e não ajudar a tirá-las.
            Tendo esse conceito em mente, temos de nos colocar, como filhos de Deus que somos, seguindo padrões da ética cristã. E o que seria isso? Seria esperar que um cristão tenha o comportamento que se espera de um cristão. Um crente deve pensar e viver dentro de padrões bíblicos, por exemplo.
            Mas esse negócio de viver de modo ético tem sido há um bom tempo abandonado pelos que não conhecem a Deus. Eles mentem para atingir objetivos pessoais; subornam guardas para não serem multados; falam mal dos colegas de trabalho, mas não deixam de abrir um belo sorriso quando estão diante deles; prometem ser fiéis, mas enganam se entenderem que devem. A lista de comportamentos não éticos das pessoas sem Deus seria quase infinita.
            No entanto, com os cristãos as coisas não são assim. Nós cristãos não tomamos essas atitudes horríveis. Somos povo eleito, sacerdócio real, nação santa (cf. 2Pe 2.9). Será mesmo? Será que buscamos viver seguindo o padrão de Cristo? Ou estamos trazendo padrões mundanos para dentro da igreja e agindo sem ética cristã? É hora de puxar uma vassoura, tirar as teias e resgatar a ética, ou os templos das igrejas é que ficarão vazios e cheios de teias de aranha.