terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Meu pedido de natal

Em vários cantos do planeta as pessoas estão se preparando para celebrar o natal, outros já o estão fazendo. Ah, sim, muitos já sequer se lembram do motivo da celebração. Trata-se da comemoração do nascimento do Salvador, de Jesus Cristo, o Senhor. Os que o seguem são chamados "cristãos".

É uma tradição fazer pedidos no natal, assim como trocar presentes e comer alimentos que não costumam fazer parte de nosso dia a dia. Bem, muitas pessoas estão pedindo somente para que tenham algo para comer na noite de natal, outros, que possam voltar para suas casas, de onde foram desalojados por enchentes ou soterramentos. Alguns meninos podem ter pedido um brinquedo eletrônico, ou uma simples bola. Várias meninas estão apenas segurando sua boneca surrada, com cabelos de espantalho e faltando um olho, ganhada de um papai noel qualquer em um outro natal, enquanto outras dão como certa a chegada a suas mãos do smartphone top de linha. Muitos senhores ou senhoras podem estar pedindo pela recuperação de seu amado, que está em um leito de hospital. Pedidos, como são relativos...

Mas quero eu também fazer o meu pedido de natal. Meu pedido é dirigido ao único que pode atendê-lo. 

"Senhor Deus, que a partir deste natal, os cristãos sejam de fato cristãos. Que da boca de cada um que professa ter sido salvo por Jesus brotem muito mais palavras de amor, em vez de fofocas e maledicências. Que a mão direita, acompanhada de seu braço e todo o corpo esteja pronto a ajudar, quem quer que seja, onde quer que seja. E que isso seja feito sem que os tambores rufem ou os microfones elogiem a bondade interesseira, desejosa de louvação. 

Senhor, que possam teus filhos neste mundo, ao qual são chamados a iluminar, caminhar espargindo luz, em vez de viver num lusco-fusco, que mais confunde do que orienta. Que do coração de cada cristão, enlevado no natal, pelo nascimento daquele que é Amor, flua amor sem medida, a quem quer que seja, onde quer que seja. Que a verdade esteja presente na boca dos filhos de Deus, em seus passos, seus relacionamentos, seus ideais, seu trabalho, seus estudos, seus atos, seus toques, sua feições.

Deus Todo-Poderoso, que os cristãos sejam cristãos, de um natal a outro, sucessivamente, até a volta do Senhor do natal."

sábado, 30 de novembro de 2013

Inclusão eclesiástica?

Atualmente é algo fortemente presente em discussões pedagógicas: a inclusão. A proposta da inclusão é que independentemente de as pessoas, geralmente crianças em idade escolar, terem dificuldades de aprendizado (relacionados a deficiência física, como atrofias, paralisias, cegueira, surdez, etc., ou mental) elas devem frequentar as aulas junto aos demais alunos no ensino regular (os quais supostamente não têm problemas de aprendizagem). A ideia é que as barreiras de diferenças possam ser diminuídas e não haja exclusão, mas aproximação.
Gostaria de tratar dessa ideia aplicada à igreja. Não é preciso haver algum distúrbio ou deficiência para que algumas pessoas acabem se vendo excluídas eclesiasticamente. Infelizmente, assim como ocorre fora da igreja, muitas vezes se dá atenção a quem, ao menos aparenta, ter algum "dom". Isso pode significar ser um bom orador, tocar algum instrumento, cantar bem, ou simplesmente ser bom de papo. Quando alguém não se encaixa nesse perfil, bem, vai ficando de lado, à margem dos relacionamentos e atividades da igreja.
O Senhor Jesus rogou ao Pai: "...a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17.21). A unidade da igreja é muito importante para que, vendo-a, o mundo creia que Jesus foi enviado pelo Pai. Esse testemunho não tem sido dos melhores. A falta de coerência, comunhão e amor pelo próximo expõem-se a olhos vistos entre muitos "irmãos".
Essa situação de incoerência acontece porque a igreja é formada por pessoas pecadoras. O pecado nos afasta de fazer a vontade do Pai, desvia-nos do alvo, da lei áurea da fé cristã: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. (...) Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22.37 e 39).
A proximidade maior entre um e outro é algo muito comum e aceitável. Até mesmo Jesus teve discípulos que lhe eram mais chegados. No entanto, a exclusão, realizada por meio de afastamento de atividades, das conversas ou outros meios quaisquer, é algo inaceitável na igreja e precisa ser tratada com a devida importância. É preciso que nos preocupemos muito mais com as pessoas, do que com um suposto "show" de dons e habilidades para "louvar" ao Senhor. Que a oração de Jesus seja atendida, para que sejamos um.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Louvor ateu

Ateístas evangelistas. Contradição de termos? Não. Ateus ingleses começaram um movimento com “cultos ateus”. Como assim? Eles deixaram a igreja, mas queriam manter algumas coisas que curtiam nela. Como relata um dos fundadores do movimento:

“Há cerca de seis anos eu deixei o louvor da igreja, e pensei: ‘Há muitas coisas formidáveis lá. Eu adoro cantar, estar com os outros, a ideia de se aperfeiçoar e ajudar outras pessoas. Mas tudo isso é centrado em algo no qual eu não acredito. Quão bom seria se tudo isso acontecesse por algo em que acredito? Eu penso que a vida é tão impressionantemente fantástica que ela deve ser celebrada tão somente pelo privilégio de a termos.’” – Sanderson Jones

Eles “cultuam” ao som de Queen, Billy Joel e Meatloaf e ouvem “sermões palestras” centrados em experiências profundas de vida, segundo o conceito dos palestrantes.

O movimento tem crescido na Inglaterra, onde uma pesquisa recente revelou que 2/3 dos adolescentes afirmam não acreditar em Deus, e agora começa a ser difundido nos EUA.

Aguarde, em breve, a palavra “salvadora” dos neo-ateus deve chegar à terra brasilis.


As informações são do site da revista Newsweek (em inglês), no seguinte link: http://mag.newsweek.com/2013/11/01/atheism-evangelicals-christianity-religion.html

Depois de ter postado o texto, encontrei essa matéria, em português, com vídeo: http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2013/11/131101_igreja_sem_religiao_video_fn.shtml#TWEET942105

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Maldito maldizer

Costumamos gostar de coisas bem ditas e benditas, principalmente se forem em referência a nossa pessoa. No entanto, parece que pegajosamente o mal dizer e o maldizer acompanham o abrir de nossa boca. É tão mais fácil falar para o mal do que para o bem. Pior, muitíssimo pior do que isso, parece tão mais... prazeroso.


Esse prazer maligno de maldizer, fofocar, criticar com perversidade, espezinhar, diminuir e, muitas vezes, destruir o outro por meio de palavras, como nos casos de bullying, é algo tremendamente maléfico para todas as partes. No entanto parece não haver prática tão comum, mesmo entres os que se autoproclamam filhos de Deus. Prática que não faz discriminação. Sofrem por ela e dela fazem uso tanto os mais simplórios quanto os de grande vulto na igreja.

Talvez esse pecado da maledicência seja tão comum por pensarem que supostamente não receberão nenhuma punição. Afinal, quantos casos de maledicência ou fofoca já vimos sendo tratados pela igreja com a devida severidade? Há impunidade quanto a essa prática. A igreja tem dificuldade em tratar de situações assim, muitas vezes, por falta de provas, testemunhas, ou simplesmente porque muitos não levam isso a sério. Afinal, maldizer não faz crescer barriga à vista de todos.

Essa ideia de impunidade é enganosa, vilmente enganosa. No sermão da montanha, Jesus advertiu com severidade: "quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo" (Mt 5.22). Vale lembrar que "tolo" é uma palavra bem amena comparada às que se costuma usar para maldizer hoje. Atentar contra uma pessoa por meio da maledicência é se colocar no mesmo nível de quem não teme a Deus, e, assim como ele, estar sujeito à condenação eterna.

Paulo, o apóstolo, apresentou uma relação de pecados de prática constante que são característica de quem não poderá ter os céus por herança: "nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes..." (1Co 6.10). É, pelo que Paulo diz, esse negócio de falar mal dos outros parece mesmo ser bem sério, não é?

A língua é capaz de por em "chamas toda a carreira da existência humana" (Tg 3.6). Tiago também coloca o cuidado com o que dizemos em pontos bastante extremos. Com a língua bendizemos ao Senhor e amaldiçoamos os homens, que são semelhança de Deus, nosso iguais, nossos irmãos, com falhas e erros semelhantes aos nossos, com amores, desejos, dúvidas, esperanças tais quais também as temos. 

Maldizer e bendizer podem andar juntos? De uma mesma fonte pode brotar água doce e amarga (Tg 3.11)? Ah, sim, o problema é a fonte. A boca fala do que está cheio o coração (Mt 12.34). O que jorra de sua fonte?

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Amor: na teoria, tudo bem...

A tirinha ao lado brinca com a séria realidade de que todos reconhecem que o amor é a chave para os problemas do mundo, algo revolucionário, mas que pouquíssimos praticam. Entramos no jogo do "faça o que eu mando, não faça o que eu faço".
Talvez agora você esteja pensando: "Ah, não! Mais uma exortação dizendo que 'eu devo amar', 'eu devo amar', 'eu devo amar...'". Não se trata disso. Afinal, você já sabe muito bem a parte teórica sobre o amor, ou talvez não muito, mas certamente sabe que é algo bom, e algo que gostaria de receber. É sobre esse ponto que quero tratar.
Conhecemos algumas coisas somente pela teoria. Esse conhecimento se aprofunda de maneira tremenda quando temos contato, quando experimentamos o que diz a teoria. Um degustador pode explicar a alguém as variadas nuances do sabor do chocolate, buscando exprimir o quanto ele é delicioso, por exemplo. Mas uma bela mordida em um fará toda a diferença no conhecimento dessa verdade (tudo bem se você não gosta de chocolate, entendemos que no seu planeta isso possa ser uma realidade).
Você já sabe que somos muito egoístas. Tudo gira ao nosso redor e tudo é para nós, ou ao menos pensamos que deveria ser. Isso não é diferente quanto ao amor. Queremos que nossa esposa, ou marido, nos ame e nos faça feliz. Queremos que as pessoas nos amem, e atendam nossas necessidades, e nos elogiem, nos façam um carinho. Parece que a verdade bíblica de "amar ao próximo como a si mesmo" é boa quando os outros a praticam, não é?
Considerando isso, que tal se experimentássemos mesmo amar? Os benefícios teóricos de amar você já conhece, mas que tal senti-los na pele? Ver sua esposa sorrir emocionada porque você a abraçou espontaneamente, sem motivo aparente, seria algo bom para você? Acompanhar os olhos encantados de uma criança que lê um livro que você doou a ela seria algo bom para você? Dar um duro danado trabalhando fora e ainda chegar em casa e cuidar da roupa do seu filho, para tê-lo bem cuidado e agradecido à mãe seria algo bom para você?
Bem, uma infinidade de coisas que poderíamos fazer como expressão de amor nos deixariam felizes ao final. Mas você percebeu que tudo isso está se voltando para o nosso umbigo de novo? Mas é verdade que amar nos faz bem. Sim, aquele amor sacrificial, de entrega, pode nos trazer benefícios. O ponto é que o amor verdadeiro age sem esperar nada em troca. Afinal, ele "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1Co 13.7). 
O amor precisa ser praticado, exercitado, para crescer e amadurecer. Esse processo só tem início com nossos primeiros passos, com o entendimento, por exemplo, de que nós só podemos amar de verdade "porque ele nos amou primeiro" (1Jo 4.19).
Portanto, que tal conhecer o amor mais profundamente? Que tal espalhar amor, ainda que caras feias e irritadas estejam do outro lado? Que tal praticar o amor, ainda que começando de maneira bem modesta, para que ele vá crescendo e crescendo?

Ah, vamos amar!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Justiça! Desde que seja a minha


       Atrizes se beijando em público, de preferência com muitos flashes, baderneiros subindo em mesas, portas de "armário" se abrindo com as pessoas menos esperadas, editoriais de jornais e revistas no estilo: "Fora Feliciano! Você não nos representa". 

       Quanto empenho e determinação. Vigor sobejando pela "causa". Gargantas abertas para clamar: "Saia!". Vozes que afirmam que não se calarão enquanto não tiverem sua vontade atendida. Tudo isso para tirar um deputado da presidência da Comissão de Direitos Humanos porque, segundo afirmam, ele é homofóbico e racista. Convenhamos que o tal pastor deputado não parece ser uma singela flor do campo que possa ter seu perfume aspirado, mas seria preciso todo esse barulho? É a luta pela realização da justiça?
       Por esses dias, como é rotineiro, noticiários da TV exibiram imagens de pessoas passando horas em filas para ser atendidas. Não. Não se trata de hospitais públicos, o que já é muito ruim. Agora são também os hospitais particulares, pelos quais as pessoas pagam convênios médicos para ser atendidas. Crianças desmaiando, mulheres passando mal, pés quebrados para os quais não há gesso. Caso nos voltemos para os hospitais públicos, falaremos de pessoas a quem é negada qualquer dignidade. Homens e mulheres que são encostados em corredores, até que morram, ou que vão embora morrer em outro lugar.
       Mas mudemos da saúde, ou da falta dela, para o básico dos básicos, a necessidade de água. Também são expostas pela TV as imagens do chão rachado, à míngua, com "Severinos" e "Marias" não sabendo o que fazer com "us minino". E não é de hoje. Graciliano Ramos via esse mesmo cenário quando colocou a cadela Baleia a seguir Fabiano, Sinhá Vitória e seus dois meninos. Gado estorricado, com a vida evaporando pelo calor e secura.
       Mas e as meninas vivendo à beira das estradas perguntando aos "tio caminhonero" se não querem se aliviar por 20 conto? Esbravejamos contra os pedófilos que atacam meninos e meninas de classe média, e devemos fazê-lo, mas e essas outras crianças? Seriam dignas de alguma dignidade reconhecida? Brasileiros e brasileiras se preocupam com elas?
       Mas haveria muitos, e muitos mesmo, outros "mas" que poderíamos citar. Todos eles merecedores da atenção, preocupação, do envolvimento, comprometimento, desprendimento de todos nós. Por esses motivos deveríamos clamar bem alto: "Chega! Chega! Justiça! Fora com os que não cuidam de questões essenciais para a população. Vocês não nos representam". Mas isso não acontece. Não acontece.
       Ah, se essas influentes atrizes, se prolíficos editores de jornais e revistas, se baderneiros que gritam em sobem em mesas estivessem envolvidos nessas causas. Essas sim causas, Causas significativas, importantes, que fazem diferença na vida, e mesmo na morte, de milhões de pessoas.
       Chega então dessa justiça parcial. Basta de valores proclamados por "brothers" que não sabem discernir mão direita da esquerda. Calem suas bocas, se não é para exigir e cobrar as pessoas por motivos verdadeiros. Hipocrisia, mentiras e coerção, sempre de mãos dadas para proclamar a justiça, de alguns, para alguns.
       Nosso Pai, que seja feita a sua justiça.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Lírios, observem


           Sim, lírios, observem. Vejam os homens no mundo. Eles trabalham e tecem, como já foi no passado. Assim como em séculos anteriores eles continuam a ficar ansiosos e a confiar em si mesmos para se manter. Suas forças em um momento estão no auge, em outro estão dependentes de alguém que os conduza, mas não entendem que eles nada podem por si mesmos.
            Muitos séculos se passaram e a ansiedade somente aumentou na vida de homens e mulheres. Eles querem sempre mais. Não abarrotam mais seus celeiros, pois agora o bom, o “seguro”, é ter uma bela conta bancária. Quanto mais números ela apresentar, mais seguros eles se sentem. Vamos lá, dizem eles, mais dinheiro, mais casas, mais dinheiro, mais carros, mais dinheiro, mais roupas, mais dinheiro, mais aparelhos celulares, mais dinheiro, mais gadgets, mais dinheiro, mais... apenas mais.
            O vazio continua, como no passado. As contas bancárias e os bens podem aumentar, mas só para descobrir que, ao final, a infelicidade continua. O buraco da falta de sentido tem a força gigantesca de um buraco negro no espaço. Os seres humanos continuam a se consumir, a se deteriorar moral, intelectual e fisicamente. Sim, um abismo chamando outro abismo.
            Ah, se eles tivessem fé! Onde está o grão de mostarda? Assim jamais os montes se moverão. Por que preferem carregar os fardos pesados, quando é ofertado o leve? Eles parecem desejar o deserto. A fonte de água foi apresentada aos sedentos, mas a língua contínua a se apegar ao palato. A garganta arranha e engasga o pó da enganosa autossuficiência. Ah, se tivessem escolhido a melhor parte! Essa não seria tirada deles.
            O pior cego é aquele que quer olhar para apenas uma direção, que não contempla o todo, que não agradece pelo todo. O pior cego é quem quer ver apenas o que quer ver, o que lhe convém. Mas é possível dar vista aos cegos, e é possível abrir os horizontes. É possível que eles também observem vocês, lírios. Nem Salomão se vestiu como vocês. E possível que esses cegos voluntários contemplem vocês e se alegrem, e deem graças, e vivam.

sábado, 11 de agosto de 2012

Pai - herói e bandido


                  Muita gente deve considerar que não há nada mais brega do que se emocionar ao ouvir a música “Pai”, cantada por Fábio Jr. Se eu considerar assim, sou um bregão dos bons. Essa música me toca muito. Talvez exatamente pelo fato de um trecho dela descrever muito bem como foi meu relacionamento com meu pai: “Pai, você foi meu herói, meu bandido”.
            Meu amado Oswaldo, meu querido Dinho, meu incrível pai. Ele foi meu herói ao me ensinar sobre muitas coisas, ao me deixar recostar minha cabeça no colo dele e me fazer um cafuné, ao me ensinar algumas coisas do trabalho dele (ele era um mecânico que conseguia descobrir defeitos só de ouvir o ronco do motor), ao contar das lutas que ele enfrentou na vida.
            Mas meu herói também foi meu bandido. A mão que afagou meus cabelos também chegou a segurar uma faca e desferir golpes contra o armário da cozinha, em um dos momentos de descontrole, em seu alcoolismo. Na adolescência cheguei a ir dormir, em algumas noites, temendo que meu pai fizesse alguma loucura por causa da bebida e por eu confrontá-lo pelo vício.
            Sempre sofremos as consequências das atitudes que tomamos. Meu pai faleceu por causa do alcoolismo. A cirrose hepática encerrou a vida do meu amado pai, ainda que herói, ainda que bandido. Isso aconteceu quando eu tinha 16 anos.
            Hoje sou pai dos meus amados André, Marcos e Rafael. Sei que também sou meio herói e meio bandido para eles. Sou o pai brinca de lutas com eles, que abraça e beija, que ensina inglês, que fala do Pai eterno, que faz cafuné. Mas também sou o pai que cobra, que exige, que fala em um tom mais áspero, às vezes, que manda lavar a louça (que terror!).
            Sou filho. Sou pai. Ah, que saudade de meu pai! Ah, que alegria ter meus filhos! Eu não conheci meu avô paterno. Meus filhos também não conheceram o deles. Espero que Deus, o Pai, me permita conhecer meus netos. Voltando à música de Fábio Jr., eu queria muito ter meu pai em minha casa, brincando de vovô com meus filhos no tapete da sala de estar. Mas os caminhos de Deus são mais elevados que os nossos caminhos.
            De qualquer modo, só não quero e não vou ficar mudo pra falar de amor pra você, meu herói, meu bandido, meu pai.

terça-feira, 10 de julho de 2012

"Não se esqueça de mim"


            Caso fosse uma pessoa, seria isso o que diria a “ética”. Diria isso porque ela tem sido largada lá em um dos cantos mais cheios de teias de aranha das cabeças de muitos crentes. Seria ótimo retirar essas teias e buscarmos coerência.
            Para começar a retirar as teias e resgatar a ética abandonada, vamos primeiro tentar recordar o que ela é. Vamos ver uma definição mais simples, uma das que o Dicionário Houaiss apresenta: “conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade”. Para exemplificar, podemos pensar em ética médica. Espera-se que um médico tome atitudes que sejam coerentes com os padrões seguidos por outros médicos. Eles sempre procurarão, por exemplo, salvar vidas, e não ajudar a tirá-las.
            Tendo esse conceito em mente, temos de nos colocar, como filhos de Deus que somos, seguindo padrões da ética cristã. E o que seria isso? Seria esperar que um cristão tenha o comportamento que se espera de um cristão. Um crente deve pensar e viver dentro de padrões bíblicos, por exemplo.
            Mas esse negócio de viver de modo ético tem sido há um bom tempo abandonado pelos que não conhecem a Deus. Eles mentem para atingir objetivos pessoais; subornam guardas para não serem multados; falam mal dos colegas de trabalho, mas não deixam de abrir um belo sorriso quando estão diante deles; prometem ser fiéis, mas enganam se entenderem que devem. A lista de comportamentos não éticos das pessoas sem Deus seria quase infinita.
            No entanto, com os cristãos as coisas não são assim. Nós cristãos não tomamos essas atitudes horríveis. Somos povo eleito, sacerdócio real, nação santa (cf. 2Pe 2.9). Será mesmo? Será que buscamos viver seguindo o padrão de Cristo? Ou estamos trazendo padrões mundanos para dentro da igreja e agindo sem ética cristã? É hora de puxar uma vassoura, tirar as teias e resgatar a ética, ou os templos das igrejas é que ficarão vazios e cheios de teias de aranha.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O Sr. José e a herança que deixou

Em 25 de janeiro, às 8h30 da manhã, foi sepultado o Sr. José Moreira, marido da dona Ione e pai da Denise e do Lucas. Infelizmente eu não pude ir ao velório nem ao ofício fúnebre. No entanto, fiquei pensando sobre o "seu Zé", como carinhosamente eu costumava chamá-lo quando ambos éramos membros da Igreja Presbiteriana de Mauá e vez por outra batíamos um papo após a escola dominical.
O Sr. José partiu vítima de um câncer, contra o qual ele resistiu bravamente, confiado em Deus. Ele não escreveu livros, não inventou nada mirabolante, não foi um grande campeão nos esportes ou destaque nacional em sua área de trabalho. Qual foi a herança que ele deixou então? Por que ele é digno de ser lembrado? Seria somente mais um "Zé"?
O que faz com que devamos recordar a pessoa do Sr. José é exatamente o fato de ele ter sido um homem honrado, crente em seu Salvador e que zelou por sua família. Em tempos em que muitos bradam que família é a que a gente escolhe, que família é uma ilusão, que a família tradicional morreu, o Sr. José lutou e amou a sua. Ao lado de sua amada esposa, a dona Ione, ele criou a Denise e o Lucas. Ele trabalhou, sofreu, sorriu, louvou, educou, abraçou, amou, amou, amou. Quem conhece a Denise e o Lucas sabe como são esses jovens exemplares. Filhos que amam seus pais, que trabalham, estudam e que são dedicados a viver para Jesus Cristo e proclamar esse nome na simplicidade de seu dia a dia. Exatamente como o Pai quer.
Vale lembrar que não estou aqui para fazer uma "rasgação de seda". O Sr. José certamente tinha seus defeitos, assim como os devem ter a querida dona Ione e também seus filhos. Mas é exatamente aí que está a chave: vencer apesar de nossas fraquezas e erros. Falhar, ser erguido por Deus e olhar para frente buscando corrigir o erro é uma dádiva sem igual. Ser purificado no decorrer de nossa vida é uma bênção sem medida.
O Sr. José deve ter enfrentado tentações em sua vida, deve ter falhado algumas vezes, mas em todas essas situações ele sempre soube que estava amparado e acolhido por Deus e que podia olhar para os olhos de sua esposa e filhos e voltar a sorrir. Por isso ele pôde chegar ao fim de sua vida amado por muitos, além da dona Ione, da Denise e do Lucas. É por isso que a vida desse homem simples tem muito a nos ensinar: a simplicidade da vida com Deus.
Obrigado Pai, pela vida do Sr. José Moreira. Lembrar do "seu Zé" vai sempre nos motivar a viver com simplicidade para Deus, amando nossa família e lutando por ela.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

É bem melhor mergulhar

Estou cansado do raso. Extenuado do raso das opiniões, dos programas de TV, dos artigos de jornais, dos posts de blogs, Twitter, Facebook, Orkut e outros mais. Tudo isso reflexo do oco das pessoas. Como esse tipo de gente proliferou e pipoca suas rasas falas inconsequentes por todos os meios. Pessoas ocas, foscas, toscas.
Esse comportamento de quem não se aprofunda expõe a infantil alegria de se contentar em brincar na "beirinha" da praia, pular a ondinha, tombar de cara na areia. Seria muito bom se emergisse nas pessoas o desejo de dar braçadas para dentro do mar, enfrentando ondas maiores, saindo da arrebentação, para mergulhar e conhecer as riquezas da profundidade do conhecimento. Conhecimento dado por Deus, que também dá razão, vontade, capacidade, virtuosidade, crescimento, expansão, comunhão.
Calma, calma. Você está lendo isso há alguns segundos, mas já surgiu um pop-up ou uma aba do seu browser está avisando que chegou outro twitter, outro post, outra notícia e você já está louco para clicar lá. Exercite sua capacidade de raciocínio e siga um pouco mais.
Veja só o texto a seguir:
"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza!"
São palavras de Riobaldo, em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Uma obra fantástica e deliciosa. Mas quem encara sua linguagem difícil em mais de 600 páginas? Encara quem quer mergulhar e sair da "beirinha".
"Como é feliz o homem que acha a sabedoria, o homem que obtém entendimento, pois a sabedoria é mais proveitosa do que a prata e rende mais do que o ouro." Provérbios 3.12-13
A sabedoria é encontrada em Deus, que nos deu os meios para escarafunchar as informações, meditar, refletir e tirar conclusões. Mas os rasos das ideias não agem assim.
"O zombador busca sabedoria e nada encontra, mas o conhecimento vem facilmente ao que tem discernimento." Provérbios 14.6
O zombador, oco, tosco, apenas se suja na lama da praia, reclama do sal ou da areia que entrou pelas narinas que nada anseiam, joga areia nos companheiros da superficialidade. Suas conversas? Ah, são aquelas? "Você viu blusinha da fulana?"; "Parece que vai chover"; "O juiz roubou naquele jogo, meu"; "Político é tudo igual (ah seu eu estivesse lá)"; "O trânsito está cada vez mais difícil"; "Foi uma bênção, irmão".
Não estranhe a citação da bênção. É só uma crítica a nós, evangélicos, que nos amoldamos ao século da superficialidade dizendo frases prontas "abençoadoras".
Eu abusei da sua boa vontade, não é? Aquele pop-up ainda está lá. Vou terminar com um desafio. Escolha um livro que você julgue agradável, mas que tenha bom conteúdo, os clássicos nunca são demais, e faça uma slow reading com close reading (leitura com vagar e atenta), e depois escreva um comentário sobre a obra. Faça isso também com um livro da Bíblia. Aceite esse desafio ao menos por um mês. Depois disso, penso que você estará, se já não está, querendo dar braçadas mais compridas para se afastar da margem.
E depois? Ah, depois é... mergulhar.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A luz, um rabino, o Capitão América e a escuridão

Em meus tempos de criança católica, lembro-me de meus pais, tios e avós costumarem afirmar com convicção que na Bíblia havia um texto que dizia: "A mil chegará, de dois mil não passará". Carreguei essa ideia em mente até a idade adulta. Na verdade até o momento em que fui confrontado com a Bíblia de fato.

Surpreendentemente para mim, na época, descobri que aquela afirmação não existe na Bíblia. Aliás, uma das coisas que me fizeram refletir mais profundamente sobre os caminhos espirituais em que eu andava foi constatar que após 14 anos como professor de catequese em uma igreja católica, e presidente do grupo de catequese, eu não sabia encontrar vários dos textos bíblicos que o pastor citava durante o culto para o qual havia sido convidado. Eu entendi que uma fé que afirma ter base na Bíblia, mas não a conhece, não pode ser verdadeira.

Quando fui convertido e passei a me aprofundar mais no caminho das Escrituras e da igreja, comecei a ter o temor de que um dia as igrejas evangélicas tivessem membros como a maioria dos das igrejas católicas, meros religiosos. É com tristeza que eu verifico que o aumento dos evangélicos nominais está se tornando uma realidade. Nos Estados Unidos, a Sociedade Bíblica Americana fez uma pesquisa que verificou que a maioria de seus entrevistados entende que a frase: "Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos", foi pronunciada pelo Capitão América. Sim, aquele da Marvel, cujo filme estava nas salas de cinema até bem pouco tempo. A referência a 2Coríntios 4.8-9 sequer circulou pelos neurônios deles.

Um rabino, professor de uma universidade americana, afirmou à rede de tv CNN: “a maioria das pessoas que afirmam ter um amor profundo pela Bíblia na verdade nunca leu esse livro”. Os dados obtidos pela pesquisa parecem corroborar a posição do rabino. O povo que era conhecido como "povo do livro", parece mais ser algo como "povo que diz que ama e conhece o livro, mas tá longe dele".

Aqui em terras brasilianas talvez possamos pensar que a coisa não é bem assim. Será? Outra vez: será? As participações nas aulas de escola dominical de muitas igrejas evangélicas, quando há, demonstram que podemos dizer: "Só os americanos não. Yes, we can, também. Nós aqui também podemos dizer que amamos a Bíblia sem conhecê-la".

"Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos" é um texto que faz parte das Escrituras. Considerando o que ele afirma, parece que os dias estão ficando mais escuros.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Bíblia – as muitas versões te fazem delirar?

Hoje há um número bastante grande de versões da Bíblia em língua portuguesa. As mais tradicionais são a Almeida Revista e Corrigida (ARC), a Almeida Revista e Atualizada (ARA), e a Almeida Corrigida e Fiel (ACF). Todas as três tomam por base a tradução de João Ferreira de Almeida. Vou desconsiderar a versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje (anteriormente chamada Bíblia na Linguagem de Hoje) porque a considero uma paráfrase do texto bíblico.

Mais recentemente foram publicadas a Nova Versão Internacional, a Bíblia Viva (que também é uma paráfrase) e a Almeida Século 21. Estou considerando apenas as que são mais conhecidas. Há várias outras. Não levei em conta também as várias versões “católicas”, apesar de gostar muito da Bíblia de Jerusalém.

Também não vou me atrever a tentar listar as “Bíblias especiais”: Bíblia do homem de negócios, Bíblia devocional da mulher, Bíblia do adolescente, Bíblia da mulher que ora, Bíblia do ministro, e por aí vai. Mesmo porque elas não são novas versões, apenas usam as versões existentes adicionando auxílios para o leitor.

Pensando nesse grande número de versões, fico me perguntando como as pessoas têm escolhido sua versão. Há uma versão para uso na igreja e outra para uso em casa? Como os crentes têm lidado com as diferentes versões bíblicas disponíveis hoje?

A Bíblia é a Palavra de Deus e a maneira como nos aproximamos dela e aprendemos das verdades eternas tem implicações para essa vida e para a vindoura. Coloquei uma enquete ao lado. Se desejar, responda-a para que tenhamos uma noção de quais versões bíblicas têm sido mais utilizadas, ao menos pelos que leram o blog.

Oremos para que as muitas versões sejam meios para nos aproximar mais de Deus e não para que nos façam desviar do caminho.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Amém?


Mas espere aí... Amém como pergunta? Essa palavra hebraica não é usada para fazer afirmações? Para tirar a dúvida, vamos consultar algumas fontes.
            O dicionário Houaiss, na rubrica liturgia, dá a seguinte definição para a palavra “amém”: “usado para expressar uma reiteração formal (p.ex., nas demonstrações de fé)”.
            O Aurélio concorda: “Palavra litúrgica de aclamação, que indica anuência firme, concordância perfeita, com um artigo de fé; assim seja”.
            O “Léxico Grego Analítico”, de Harold Moulton, no verbete grego de amém, afirma que a palavra vem do hebraico (firme, fiel, certo, verdadeiro) e que é usada como uma partícula tanto de afirmação quanto de assentimento. E também cita O Amém, a testemunha fiel e verdadeira, de Apocalipse 3.14.
            No entanto, por modismos que vão passando de boca a boca e mente a mente, mas sem reflexão, o “amém” se tornou uma palavra interrogativa. Será que o problema estaria nisso? Acredito que não somente nisso. Esse tipo de situação acontece com qualquer afirmação que façamos. É algo comum e está correto. Está certo?
            O grande problema fica evidente quando consideramos os motivos pelos quais passaram a usar a palavra “amém” como pergunta que requer confirmação. Ela passou a ser usada por pura e simples imitação. O famoso “Amém, irmãos?” surgiu entre os evangélicos brasileiros que seguiram o que faziam os americanos e muita gente achou isso “legal”.
            As imitações surgem quando não há algo original a ser dito. O “Amém, irmãos?” já virou clichê. E isso ocorre porque os dirigentes de culto e pregadores pecam por não trabalhar mais bem sua fala. Em vez de pensar em uma frase ou pergunta mais bem elaborada, solta-se um “Amém?”, e o povo responde “Amém”, ficando tudo certo, até o próximo “Amém?”.
            Além disso, alguns pregadores e dirigentes litúrgicos parecem sentir necessidade de confirmação do que falam. É como aquele famoso e viciado “né?” dos bate-papos entre amigos. Tenho uma amiga que, sempre que vai contar uma história, diz umas duas ou três frases e solta um “Né, Amor?”, dirigindo-se ao marido. Que confirma: “Éééé”.
            Portanto, esse uso inadequado da palavra “amém” faz com que ela fique empobrecida de sentido, pois é repetida com frequência. Evitar usá-la dessa maneira é bem melhor. A igreja poderá afirmar, quando for o momento adequado, usando o “amém” como quem entende que aquilo que se afirmou é verdadeiro e deve ser considerado assim.
            Essa pequena reflexão tem muito mais o objetivo de cutucar nossas mentes a pensar mais no que aceitamos e falamos. Ou vamos ficar com as mentes tapadas como a do caso do irmão, que ouviu o pastor informar sobre uma irmã que foi parar na UTI de um hospital, e exclamou: “Amém!”. Não podemos ser papagaios. Nossa mente é uma dádiva preciosa que Deus nos deu e deve ser bem trabalhada. Amém? Esqueça essa última pergunta.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Não vai melhorar

Muitos de nós temos observado na maneira agressiva e egoísta como grande parte das pessoas se comportam hoje um sinal de que o fim está próximo. É bem verdade que esse discurso não é novo. Minha mãe e minha avó já diziam isso quando eu era criança. E minha avó já ouvia algo parecido quando ela dedicava grande parte de seu tempo a brincar de roda.


Contudo, os maus modos são cada vez mais evidentes. Não é preciso falar de grandes catástrofes ou guerras para ter esse sentimento de “as coisas estão ficando cada vez piores”. Isso pode ser percebido em um percurso de cinco minutos de carro, período em que você pode levar umas três fechadas, duas buzinadas e uma quase pancada na lateral do seu carro. Sente-se isso de modo bem mais intenso quando se tem de fazer uso de transporte público. Marmanjos sentados nos bancos com cara de “sai pra lá que eu to dormindo”, enquanto senhoras com crianças e idosos tentam aprender a surfar no busão. Nos trens não é possível reclamar da falta de calor humano. Afinal ele pode ser sentido no contato corpo a corpo (empurra, acotovela e aperta) e até mesmo no calor do hálito do outro humano no seu cangote.

Os maus hábitos nos meios de transporte são apenas uma pequena demonstração de quanto as pessoas conseguem ser a cada dia mais maldosas. Pergunte a algum professor sobre os alunos dele e a imensa maioria terá no rosto uma mescla de desilusão e pânico, acompanhada da resposta: “insuportáveis, não sei mais o que fazer”. E o noticiário já tem uma vasta lista de casos de professores que apanharam dos alunos, sem contar os que já foram mortos. É claro que em ambientes assim não se pode esperar algum respeito.

Podemos piorar bastante o quadro quando nos lembramos de que vivemos entre “nóias”, conhecidos polidamente como usuários de entorpecentes. Pela droga eles fazem qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. E eles estão nos parques, nos bancos, na padaria, sem que possamos nos precaver de ter de encarar uma ameaça vinda deles.

Se fôssemos nos dedicar a ver todos os casos semelhantes aos que citamos e com os quais convivemos dia a dia, teríamos de gastar muito tempo. O que importa é entender que o quadro é feio, e não vai melhorar. Jesus advertiu: “Naquele tempo muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros, e numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos se esfriará” (Mt 24.10-12 – NVI). Maldade aumentando e amor esfriando, não pode haver coisa mais terrível.

Mas os cristãos esperam no Senhor (Sl 37.9) e devem firmemente exercer o seu papel neste mundo (Mt 5.13-16), guardando no coração a promessa de Jesus: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 24.13). Tudo isso vai passar, e rápido. Vamos aguardar com paciência, mas agindo, esperando no Senhor.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Circo real, ou "gostamos mais de ilusão"

Está bem, é o assunto do momento. O casamento real - William e Kate. Já nem faço ideia de quantas vezes ouvi esses nomes durante esta semana. Então falemos sobre isso também. Ou melhor, falemos sobre o que cerca esse "evento".

Para começar, esse parece um filme que já vimos antes. Charles e Diana já haviam dado esse mesmo show há algumas décadas. Mas logo se tornaria um show de horrores. Mas muita gente parou para tentar observar cada detalhe da cerimônia. Do vestido de Kate aos paramentos dos sacerdotes anglicanos, dos gestos de William ao chapeuzinho sempre feio da rainha. Se já sabemos os rumos que esse tosco "conto de fadas" moderno tem, porque insistimos em, de certo modo, participar dele?

Há toda uma aura de pureza nesse enlace, mas sabemos que não há nada puro nessa apresentação teatral paupérrima da terra de Shakespeare. É tudo para contentar o povo que, de modo geral, quer apenas pão e circo. Quem se importa que a família real inglesa seja apenas um caríssimo objeto de decoração? Ou quem quer parar para pensar em coisas muito mais relevantes do que um belo casal acenando do balcão e trocando um "selinho" para seus súditos entrarem em delírio?

Enquanto tudo isso está na mídia, e aos montes, cristãos estão sendo perseguidos e mortos na China. Mas quem  quer saber de plebeus cristãos, quando a realeza está se apresentando? Na África mais cristãos estão sendo queimados vivos. Mas churrasquinho de crente também não causa êxtase. No máximo um: "Oh! Que coisa não?!".

Como diria Homer Simpson: "O que importa se o mundo está acabando se eu tenho uma caneca de cerveja na mão e um controle remoto de uma TV de muitas polegadas e mais de 150 canais?".

Poderíamos dizer: "Está na hora de rever seus valores". Mas infelizmente o mais cabível é perguntar: "Onde foram parar os valores?". Você tem cuidado dos seus?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pela renovação da sua mente

Os dois primeiros versículos do capítulo 12 da carta de Paulo aos Romanos são alguns dos meus preferidos na Bíblia.

Portanto, irmãos, rogo-lhes, pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Gosto muito deles porque colocam de modo muito claro que nosso culto é oferecermos a nós mesmos a Deus. Isso implica nossa vida como um todo. Vai para o trabalho? Cultue a Deus fazendo isso. Vai jogar futebol? Que seus dribles sem caneladas e pisadas na bola sejam um louvor. Vai pagar uma conta no banco? Que o cumprimento de suas obrigações seja um exemplo para a glorificação do nome do Pai. Agir assim é nosso culto racional. Não é um demérito do culto formal, mas o que ocorre na igreja fica completamente oco se nosso louvor no dia a dia for vazio.

Além disso há a certeza de que podemos desfrutar da boa, agradável e perfeita vontade de Deus. O que poderia ser melhor do que viver de acordo com a vontade daquele que faz com que todas as coisas cooperem para o bem dos que o amam? Mas para isso temos o desafio diário de não sermos engessados pelos padrões seculares e sermos transformados pela renovação, a renovação da nossa mente. Da sua, da minha, daqueles que agora, pela graça de Deus, têm a mente de Cristo (1Co 2.16).

Os conceitos (padrões) que recebemos pelos mais variados (e quão variados eles são hoje) canais de mídia escravizam nossa mente, fazendo que ela o transforme em apenas mais um integrante da "boiada", da "massa de manobra". Desse modo podemos servir aos interesses de sabemos lá quem, mas esse quem certamente está espalhando e não ajuntando com Jesus (Mt 12.30).

O inimigo, Satanás, desde o início leva o homem ao engano, à ilusão. A razão está com Deus. Infelizmente as armas do diabo parecem ter atingido muitos objetivos. Há imensa falta de qualquer raciocínio em um mundo de analfabetos funcionais e de alfabetizados que preferem a irracionalidade das drogas e do álcool. Pensar, cada vez mais parece ser algo que "dói".

Entre os cristãos, o abismo persiste quanto ao conhecimento bíblico. De um lado doutores e mestres em áreas teológicas obtém suas graduações em número cada vez maior. Do outro os membros das igrejas se esforçam para não confundir Moisés com Abraão, chegando a discutir com os católicos sobre aquele livro apócrifo na bíblia deles. "Como é mesmo o nome? Acho que é aquele tal de Obadias."

Em toda a história da humanidade sempre houve tempo de renovação, assim como é hoje e como Deus o requer. Temos que clamar, bradar, falar, explicar, repetir, colocar em cartazes, publicar e-books, blogar, tuitar, e o que mais as mídias permitirem, que todos precisamos ser transformados pela renovação da nossa mente. Comunicando e praticando isso glorificaremos a Deus, seremos por ele abençoados e abençoaremos aos outros. Renove.